domingo, 26 de outubro de 2008

Sempre.

Sempre a mesma distancia,
sempre o mesmo olhar,
sempre a mesma arrogancia
na maneira de falar.

Sempre o mesmo suspiro,
sempre a mesma canção,
sempre eu que conspiro
para que me dês a mão.

Sempre o mesmo 'estou aqui'
e o 'não quero estar',
sempre o mesmo 'fugi'
e o 'nao vou voltar'.

Sempre a mesma voz,
sempre o mesmo voar,
todo esse corpo veloz
desfeito num balançar.

Sempre os mesmos passos,
sempre o mesmo amanhã,
repleto de tantos traços
que só vemos ao sol da manhã.

Sempre os mesmos gestos,
sempre a mesma estalada,
sempre os mesmos afectos
dados em troca de nada.

Sempre o mesmo 'hoje nao'
e o 'amanha talvez',
sempre a mesma afliçao,
de te perder de vez.

Sempre os mesmos gritos,
e a vontade de me lançar
por esses caminhos perdidos,
até a ti chegar.

Sempre o mesmo toque,
sempre a mesma incerteza,
sempre o mesmo caminhar
em busca de toda a certeza.

Sempre a mesma estrada
para a ti retornar,
sempre o mesmo nada,
que me faz querer parar.

Sempre o mesmo perder
e a mesma insegurança,
sempre o mesmo querer,
em busca de esperança.

Sempre a mesma noite
e os corpos despidos,
sempre o mesmo 'sou forte',
em todos os pensamentos perdidos.

Sempre o mesmo respirar,
e a maneira de sorrir,
sempre o mesmo andar,
que nao me faz desistir.

Sempre a mesma mão
a segurar o tal cigarro,
sempre o mesmo 'nao'
quando com um adeus me deparo.

Sempre os mesmos jardins
e conversas sobre a mesa,
sempre os mesmos fins
por caçar uma presa.

Sempre o mesmo feitio
e a mesma calma,
sempre o mesmo arrepio
que me transforma a alma.

Sempre o mesmo jogar
sem alterar o jogo,
e tudo o que me podes dar
fica para 'mais logo'.

Sempre o mesmo beijo
que acaba com tudo,
sempre o mesmo desejo
que nos leva ao fundo.

Sempre o mesmo ódio,
sempre o mesmo amor
que nos faz tremer de frio
sem escapar, de sentir qualquer dor.

sábado, 25 de outubro de 2008

Sorrisos.

Existem sorrisos feios
e sorrisos corajosos,
sorrisos ousados
e generosos.

Existem sorrisos arrojados
e sorrisos honestos,
sorrisos apaixonados
e ciumentos.

Existem sorrisos alegres
e sorrisos carinhosos,
sorrisos livres
e curiosos.

Existem sorrisos inesperados
e sorrisos confiantes,
sorrisos sonhados
e expectantes.

Existem sorrisos chorados
e sorrisos rancorosos,
sorrisos introvertidos
e teimosos.

Existem sorrisos indecentes
e sorrisos misteriosos,
sorrisos elegantes
e vitoriosos.

Existem sorrisos únicos
e sorrisos sinceros,
sorrisos simpáticos
e aventureiros.

Existem sorrisos como o teu,
que te tornam diferente
e que fazem do meu
uma realidade presente.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Os Dias.

os dias.
gosto de falar dos dias, não sei porquê.
os dias podem ser nublados.
tempestuosos.
tristes e amargos.
os dias podem ser solarengos.
teimosos.
felizes e embaraçosos.
os dias podem ser as tuas mãos a abrirem-se e a mostrarem caminhos.
podem ser o teu sorriso a guiar-me, se o teu olhar me detém.
os dias podem ser a inocência de uma palavra, se a tua voz insiste em continuar calada.
os dias podem ser em Paris, Berlim ou Viena, mas sempre em mim.
os dias podem ser tu a abrires uma porta e a fechares uma janela.
os dias podem ser nós dois a fazer morrer o sol para ver nascer a lua.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

És do Mundo.

tu não sabes o que é acordar com o sabor da existência das tuas palavras ou com a delicadeza dos teus gestos.
se o poço é fundo, que ao menos tenha chão.
se a corda quebrar, que exista uma nova.
se os dias me acompanham, eles explicam a razão do meu caminhar e a hesitação do meu falar.e a música. quando dá aquela música, é por ti que ela toca. a música é tua. e tu és a música dentro da própria, porque música são os teus dedos entrelaçados nos meus. dedos entrelaçados mas que também se separam. dedos de homem e dedos de menina.
quem somos nós?
somos o que a vida nos ensina a ser, sem sermos de alguém porque a ninguém nos damos. e tu és do tempo e és da vida. tu és das casas, dos lagos, dos jardins. és do outono e da primavera. és do mundo. és o mundo de alguém. és de todos e não és de ninguém. és dos desertos e das praias, do céu estrelado e das planícies. és das árvores e do vento. és do sol e da chuva. és do espaço que me dá espaço e que me tira espaço.
e se digo que és de tudo isto é porque és um bocado de mim, mas não és meu.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

És Tu.

és tu.
és o sorriso incontrolável e sem som.
és a palma da mão aberta.
és a lua e as estrelas no seu universo.
és quem me toma, num todo.
és a voz que teima em gritar e o grito que sai mudo.
és o meu infinito para além do meu fim.
és o gesto falhado em nome daqueles que ensaiamos e nunca fazemos por medo.
és as palavras amargas e doces.
és o meu sonho surreal.
és a dança do meu olhar.
és o vento que sopra nos meus ouvidos.
és a sombra dos meus passos.
és a timidez da minha insegurança.
és o olhar que fixa o horizonte.
és a pessoa que és e nada te pode mudar.
és a simplicidade de uma palavra minha.
és quem puxa o tempo sem o querer arrancar de mim.
és o corpo que se move no asfalto do meu interior.
és a visita ás minhas ruínas tão edificadas.
és tu.
és só tu.