Sempre a mesma distancia,
sempre o mesmo olhar,
sempre a mesma arrogancia
na maneira de falar.
Sempre o mesmo suspiro,
sempre a mesma canção,
sempre eu que conspiro
para que me dês a mão.
Sempre o mesmo 'estou aqui'
e o 'não quero estar',
sempre o mesmo 'fugi'
e o 'nao vou voltar'.
Sempre a mesma voz,
sempre o mesmo voar,
todo esse corpo veloz
desfeito num balançar.
Sempre os mesmos passos,
sempre o mesmo amanhã,
repleto de tantos traços
que só vemos ao sol da manhã.
Sempre os mesmos gestos,
sempre a mesma estalada,
sempre os mesmos afectos
dados em troca de nada.
Sempre o mesmo 'hoje nao'
e o 'amanha talvez',
sempre a mesma afliçao,
de te perder de vez.
Sempre os mesmos gritos,
e a vontade de me lançar
por esses caminhos perdidos,
até a ti chegar.
Sempre o mesmo toque,
sempre a mesma incerteza,
sempre o mesmo caminhar
em busca de toda a certeza.
Sempre a mesma estrada
para a ti retornar,
sempre o mesmo nada,
que me faz querer parar.
Sempre o mesmo perder
e a mesma insegurança,
sempre o mesmo querer,
em busca de esperança.
Sempre a mesma noite
e os corpos despidos,
sempre o mesmo 'sou forte',
em todos os pensamentos perdidos.
Sempre o mesmo respirar,
e a maneira de sorrir,
sempre o mesmo andar,
que nao me faz desistir.
Sempre a mesma mão
a segurar o tal cigarro,
sempre o mesmo 'nao'
quando com um adeus me deparo.
Sempre os mesmos jardins
e conversas sobre a mesa,
sempre os mesmos fins
por caçar uma presa.
Sempre o mesmo feitio
e a mesma calma,
sempre o mesmo arrepio
que me transforma a alma.
Sempre o mesmo jogar
sem alterar o jogo,
e tudo o que me podes dar
fica para 'mais logo'.
Sempre o mesmo beijo
que acaba com tudo,
sempre o mesmo desejo
que nos leva ao fundo.
Sempre o mesmo ódio,
sempre o mesmo amor
que nos faz tremer de frio
sem escapar, de sentir qualquer dor.
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