sábado, 20 de dezembro de 2008

érre

'os teus lábios parados eram a noite, o abismo e o silêncio das ondas paradas de encontro às rochas.
o teu rosto dentro das minhas mãos.
os meus dedos sobre os teus lábios e a ternura, como o horizonte, debaixo dos meus dedos.
os meus lábios a aproximarem-se dos teus lábios.
os teus olhos entreabertos, os teus olhos e os teus lábios a aproximarem-se dos meus lábios a aproximarem-se dos teus lábios a aproximarem-se dos meus lábios, teus lábios.'


josé luís peixoto

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

ERRE

é quando prefiro virar-te as costas, que tu achas que é a altura de vires na minha direcção.
é quando decido correr, que manifestas indiferença.
é quando sinto que gosto de ti, que ganho forças.
é quando avanças, que despertas os meus sorrisos.
somos diferentes.


erre.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

um dia vou-te pedir para tomares conta dos nossos três filhos, erre. e sei que vou sair de casa e quando voltar, vou encontra a casa virada de pernas para o ar, porque tu vais ter a mania que sabes cozinhar e vais querer ensinar isso aos miúdos. e eu vou procurar-vos e vocês vão estar, os quartro, sentados na sala, tu ao meio e eles três abraçados a ti, a dormirem. e vai-me apetecer tirar uma fotografia para deixar que esse momento fique gravado. e vou ser feliz, por saber que tu existes erre, por saber que os dois demos vida a três coisas pequeninas e lindas. e espero, acima de tudo, que eles sejam tão bonitos como tu és. porque tu és sempre bonito, porque a tua beleza arma o meu coração. porque és único.


'you left me hanging from a thread we once swun from together,
I lick my wounds but I can't see them getting better...' - maroon 5

domingo, 30 de novembro de 2008

Mil Vezes Elevado ao Infinito

podes-me invadir ou chegar delicadamente, mas não me faças dormir. grita comigo mas não esperes que me cale. fazeres-me andar de bom humor, é melhor do que mentir descaradamente. conta-me coisas que me façam rir, viaja pelo mundo. magoa-te antes de me magoares, e depois diz-me como te sentes. respeita. contraria-me, mas não muito. cria um papel só teu e representa-o no mundo real, chega de ficção. esse teu jeito de ser, faz-te andar a mil á hora sem nunca saires do mesmo sítio. e rodopias ao som de várias músicas. senta-te no chão e sente como ele é frio. toca o sol com as pontas dos dedos e vais ver como queima. dói não dói? e sorrir? podias fazê-lo mais vezes. faz-me sorrir mais vezes. e andas descontraidamente rua abaixo, rua acima. não sabes por onde andas. falas sem saber utilizar as palavras. gesticulas-te todo. agarras em mim e não
sabes o que fazer comigo. leva-me lá, vamos saltar por cima de pequenas poças de água e deixar que a lua defina as nossas sombras. vamos correr. vamos respirar todo o vento do mundo. vamos conduzir de mãos entrelaçadas, ao som de incubus, naquela recta. 'you do something to me that I can't explain'. ensina-me a gostar de algo. deixa-me dizer-te que existe um lugar, um momento em que as coisas acontecem. lembra-te que já aconteceu. diz-me que não. diz-me que sim. fica. põe o banco para trás e espera que eu te beije a cara. espera que as minhas mãos toquem o teu corpo. e desafia-me, desafia-me muito e verás que te farei feliz, mil vezes elevado ao infinito.

sábado, 29 de novembro de 2008

Eu Sei

sabias que as coisas bonitas tanto nos podem fazer chorar, como nos podem fazer rir?
sabias que quando se está apaixonado os lábios secam, o estômago dá voltas, a cabeça funciona a mil há hora?
sabias que todos os dias tens qualquer coisa de nova para aprender?
sabias que existem músicas que nos marcam?
sabias que gosto de ler coisas sem sentido algum?
sabias que gosto de dizer coisas sem sentido algum?
sabias que de todos os meus sorrisos, existe um que é mais feliz?
sabias que desses sorrisos, um é feito por ti?
sabias que a minha tristeza prende-se a mil razões, só uma a põe mais triste do que já é?
sabias que a vida deve ser vivida ao máximo, aproveitar as coisas boas e mandar as más para trás das costas?
sabias que agora chove lá fora, as estradas estão molhas, há carros que colidem num sítio qualquer, existem luzes, existe tempo?
sabias que o tempo passa?
sabias que o que hoje é importante, amanhã pode já não ser?
ou sabias que o que não é importante hoje, amanhã pode ser?
sabias que a nossa felicidade depende só de nós?
sabias que o amor é dificil de compreender, e que mesmo que o tentemos explicar não dá?
sabias que ainda aqui estou?
sabias que é de noite?
sabias que lá fora faz frio?
sabias que sei do teu olhar, da tua pele, do teu sorriso, das tuas mãos?
sabias que sei de ti?
sabias que o passado não se repete?
sabias que existe futuro ou dias que ainda estão por vir?
sabias que utilizo palavras para explicar o contrário daquilo que sinto?
sabias que existe um abraço do teu tamanho?
sabias que o mundo é livre e tu és livre dentro dele. e que as coisas onde não encontras explicação, são as que te levam á loucura até que encontres um verdadeiro significado para elas?eu sei.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

' abraça-me. abraça-me com força.
e quando já não estiver aqui, abraça o mundo. estarás a abraçar-me, esteja aonde estiver.'

- José Luís Peixoto




em qualquer lugar, a qualquer hora, tu sabes...e eu também.

Vinte.

hoje brindo a mim.
congratulo a vida, as coisas boas e más.
agradeço a razão da minha existência.
são duas décadas de efemeridade.

20.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Caminhos.

leva-me contigo. entrega-me ás ondas do mar e ao som do vento. deixa-me sonhar.deixa-me chorar tudo o que vou acumulado, todas as palavras que não grito. deixa-me exprimir tudo o que não sinto. tudo o que vou sentindo.agarra em mim, senta-me para lá do pôr-do-sol, entrega-me a horizontes longínquos e deixa-me ver o quão magnífica é a paisagem. e abraça-me quando os teus braços estiverem cansados e quando não estiverem. abraça-me. e dá-me a mão. deixa-me sentir, como que se sentir faça sentido, como que se os sentidos não sejam sentidos, e o que se sente não se sinta. deixa-me pensar. pensar demais ou não pensar. e prometo-te que vou ter força nas pernas e fazer o meu caminho, desenhar atalhos e construir lugares. definir etapas. vou correr estradas e saltar por cima de tempestades, ultrapassar espaços e fazer tempo. quero saborear a liberdade de não ser livre. quero esquecer-me do que sou. escrever-te poemas esquecidos no fundo de mim. iludir-me com um simples respirar. sorrir. precorrer passeios livres de defeito. não proferir o 'para sempre' mas acreditar que os dias se fazem, um de cada vez. depositar confiança na sua essência, na sua lentidão. não perder o olhar, nunca. despertar-te quando me despertar. não fazer mais do que aquilo que posso. cair. levantar-me. e, só assim, vou viver a vida toda.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O Mundo lá fora.

as luzes lá fora projectam a realidade. o céu que teima em alterar a sua cor. a lua que se deita e espreita a cidade, inundado-a de luz. o mundo. a calma e as pessoas introvertidas, algumas que sorriem, outras espalhafatosas, a maioria tristes, agarradas a cigarros que se acendem para se esquecerem de qualquer tipo de pensamento. sentimentos afastados ou cada vez mais chegados. vidas que se constoem, que se separam. vidas monótonas, ciclos viciosos. cheiros diversos. andares descontrolados, confiantes, sem direcções. corpos que passeiam no escuro, dão voltas por lugares incertos. cabeças cheias que explodem ao som de cada batimento do coração. cabeças cientes do que querem, para onde vão. expressões que a idade não afasta, não mata. confusões que surgem, que ficam, que seguem. acções que edificam momentos, que os tornam únicos. palavras saboreadas, sinceras, conhecidas, ditas em tons variados, que magoam, que fazem sorrir. frases memoráveis que precorrem estradas infinitas. cabelos jovens que, com o tempo, perdem a cor. olhares angustiados, pensativos, que se entregam á melancolia. beijos significativos, cativantes, que o tempo não mantém. mãos que se dão, que se abrem para sentir o toque tão vazio. gestos confusos, insistentes, persuasivos, indiferentes, amargos. gestos que nada significam. vozes que gritam sons inaudíveis, que exprimem qualquer raiva ou dor. livros vividos e histórias para contar. sonhos perdidos que dançam no ar. mentes poluídas por vontade própria. mentes dissolvidas por falas que provocam, que treinam a sua morte. tempo que se afasta e não volta. tempo que permanece intocável a um toque teu. tu que só tocas o que a ti te rejeita.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Estupidamente.

somos estupidamente estúpidos. cegos. ingénuos. sonhadores. mudos. crentes. básicos. surdos. felizes. tristes. estupidamente invadidos por afecto. lutadores. críticos. alvos. cínicos. amargos. somos estupidamente invasores e ladrões. feitos de nada. sinceros. sentimentalistas. opressores e oprimidos. amantes. mártires. estupidamente dignos de sabedoria. cabeças-erguidas. emotivos. altruístas. feios. meigos. enfadonhos. severos. ridículos. somos estupidamente vencidos por um saber maior que o nosso. traidores. carinhosos. vividos. insistentes. estupidamente definidos por coisa nenhuma. banais. esquecidos. sábios. extravagantes. somos estupidamente controladores do mundo. estupidamente bonitos. teimosos. delicados. expostos. estupidamente infelizes, se a felicidade que temos não chega. estupidamente esmagados por arrogâncias. conquistadores. perfeccionistas. estupidamente conquistados. exigentes. entregues. somos estupidamente cientes da vida que emerge é nossa frente. estupidamente vinculados áquilo em que acreditamos. lançados á deriva. explosivos. aventureiros. embalados por canções. subjugados. somos estupidamente aprendizes de lição alguma. opositores de coisas que ficam para lá dos nossos extremos. empirístas. somos estupidamente estupidificados. somos tudo o que somos, não deixando nunca de sermos, estupidamente seres-humanos.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Prometo.

prometo ser o quente, nos dias de frio.
prometo ser o chão, quando caires.
prometo pedir desculpa, para justificar os erros.
prometo estar lá, sempre.
prometo concordar, quando tiver que o fazer.
prometo-te cada dia.
prometo amar-te, sem ter que te mudar.
prometo sorrir, e fazer-te sorrir.
prometo nunca te fazer chorar.
prometo-te todas as minhas forças.
prometo dar-te valor, se me valorizares.
prometo-me ao nosso compromisso.
prometo nunca sentir o teu amor em vão.
prometo nunca perder fé em ti.
prometo nunca te fazer desistir.
prometo nunca te dar falsas razões para confiares.
prometo confiar.
prometo-te os meus sorrisos.
prometo-te mãos dadas.
prometo-te a razão desconhecida.
prometo-te até o que não tenho.
prometo acima de tudo, dar sem pedir nada em troca.
prometo cuidar.
prometo-te o infinito e as coisas boas da vida.
espero que mais tarde, me possas tu prometer amor e vida...aí dir-te-ei que te prometo tudo, a ti e aos nossos filhos.
a mim.
á nossa luta e ao nosso desempenho.
a nós.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Voar

sinto-me levada por ti.
inspirada.
protegida.
contigo, sigo a minha vida.
o teu ar frio, sereno, faz-me querer mais.
sempre longe e perto...atento aos meus ideais?
o que me é dado num dia, é-me tirado no outro sem eu saber.
desenho o meu destino.
luto.
sonho e crio.
não tenho medo de nada, não vejo perigo em nada.
salto sem cair.
estarás lá em baixo para me segurar?
só assim faz sentido.
quero ser alguém...e voar...
se confiares, eu confio.
se disseres sim, eu sigo em frente.
quero-te a ti, ás tuas palavras, ao teu incentivo.
fixo o teu olhar enquanto falo.
acreditas em mim?
só fico se quiseres.
o que achas?
estou a ser chata?
não consigo ouvir a tua resposta.
não sei o que pensar.
invejo o teu sorriso e derreto-me com o teu olhar.
só assim tenho prazer, só assim quer voar.
estou certa do que sinto.
dúvidas á parte, penso...logo existo.
voar...
sonhar...
vou ter que te mostrar?
dá-me a mão, voa comigo...
vou-te fazer acreditar!

domingo, 26 de outubro de 2008

Sempre.

Sempre a mesma distancia,
sempre o mesmo olhar,
sempre a mesma arrogancia
na maneira de falar.

Sempre o mesmo suspiro,
sempre a mesma canção,
sempre eu que conspiro
para que me dês a mão.

Sempre o mesmo 'estou aqui'
e o 'não quero estar',
sempre o mesmo 'fugi'
e o 'nao vou voltar'.

Sempre a mesma voz,
sempre o mesmo voar,
todo esse corpo veloz
desfeito num balançar.

Sempre os mesmos passos,
sempre o mesmo amanhã,
repleto de tantos traços
que só vemos ao sol da manhã.

Sempre os mesmos gestos,
sempre a mesma estalada,
sempre os mesmos afectos
dados em troca de nada.

Sempre o mesmo 'hoje nao'
e o 'amanha talvez',
sempre a mesma afliçao,
de te perder de vez.

Sempre os mesmos gritos,
e a vontade de me lançar
por esses caminhos perdidos,
até a ti chegar.

Sempre o mesmo toque,
sempre a mesma incerteza,
sempre o mesmo caminhar
em busca de toda a certeza.

Sempre a mesma estrada
para a ti retornar,
sempre o mesmo nada,
que me faz querer parar.

Sempre o mesmo perder
e a mesma insegurança,
sempre o mesmo querer,
em busca de esperança.

Sempre a mesma noite
e os corpos despidos,
sempre o mesmo 'sou forte',
em todos os pensamentos perdidos.

Sempre o mesmo respirar,
e a maneira de sorrir,
sempre o mesmo andar,
que nao me faz desistir.

Sempre a mesma mão
a segurar o tal cigarro,
sempre o mesmo 'nao'
quando com um adeus me deparo.

Sempre os mesmos jardins
e conversas sobre a mesa,
sempre os mesmos fins
por caçar uma presa.

Sempre o mesmo feitio
e a mesma calma,
sempre o mesmo arrepio
que me transforma a alma.

Sempre o mesmo jogar
sem alterar o jogo,
e tudo o que me podes dar
fica para 'mais logo'.

Sempre o mesmo beijo
que acaba com tudo,
sempre o mesmo desejo
que nos leva ao fundo.

Sempre o mesmo ódio,
sempre o mesmo amor
que nos faz tremer de frio
sem escapar, de sentir qualquer dor.

sábado, 25 de outubro de 2008

Sorrisos.

Existem sorrisos feios
e sorrisos corajosos,
sorrisos ousados
e generosos.

Existem sorrisos arrojados
e sorrisos honestos,
sorrisos apaixonados
e ciumentos.

Existem sorrisos alegres
e sorrisos carinhosos,
sorrisos livres
e curiosos.

Existem sorrisos inesperados
e sorrisos confiantes,
sorrisos sonhados
e expectantes.

Existem sorrisos chorados
e sorrisos rancorosos,
sorrisos introvertidos
e teimosos.

Existem sorrisos indecentes
e sorrisos misteriosos,
sorrisos elegantes
e vitoriosos.

Existem sorrisos únicos
e sorrisos sinceros,
sorrisos simpáticos
e aventureiros.

Existem sorrisos como o teu,
que te tornam diferente
e que fazem do meu
uma realidade presente.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Os Dias.

os dias.
gosto de falar dos dias, não sei porquê.
os dias podem ser nublados.
tempestuosos.
tristes e amargos.
os dias podem ser solarengos.
teimosos.
felizes e embaraçosos.
os dias podem ser as tuas mãos a abrirem-se e a mostrarem caminhos.
podem ser o teu sorriso a guiar-me, se o teu olhar me detém.
os dias podem ser a inocência de uma palavra, se a tua voz insiste em continuar calada.
os dias podem ser em Paris, Berlim ou Viena, mas sempre em mim.
os dias podem ser tu a abrires uma porta e a fechares uma janela.
os dias podem ser nós dois a fazer morrer o sol para ver nascer a lua.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

És do Mundo.

tu não sabes o que é acordar com o sabor da existência das tuas palavras ou com a delicadeza dos teus gestos.
se o poço é fundo, que ao menos tenha chão.
se a corda quebrar, que exista uma nova.
se os dias me acompanham, eles explicam a razão do meu caminhar e a hesitação do meu falar.e a música. quando dá aquela música, é por ti que ela toca. a música é tua. e tu és a música dentro da própria, porque música são os teus dedos entrelaçados nos meus. dedos entrelaçados mas que também se separam. dedos de homem e dedos de menina.
quem somos nós?
somos o que a vida nos ensina a ser, sem sermos de alguém porque a ninguém nos damos. e tu és do tempo e és da vida. tu és das casas, dos lagos, dos jardins. és do outono e da primavera. és do mundo. és o mundo de alguém. és de todos e não és de ninguém. és dos desertos e das praias, do céu estrelado e das planícies. és das árvores e do vento. és do sol e da chuva. és do espaço que me dá espaço e que me tira espaço.
e se digo que és de tudo isto é porque és um bocado de mim, mas não és meu.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

És Tu.

és tu.
és o sorriso incontrolável e sem som.
és a palma da mão aberta.
és a lua e as estrelas no seu universo.
és quem me toma, num todo.
és a voz que teima em gritar e o grito que sai mudo.
és o meu infinito para além do meu fim.
és o gesto falhado em nome daqueles que ensaiamos e nunca fazemos por medo.
és as palavras amargas e doces.
és o meu sonho surreal.
és a dança do meu olhar.
és o vento que sopra nos meus ouvidos.
és a sombra dos meus passos.
és a timidez da minha insegurança.
és o olhar que fixa o horizonte.
és a pessoa que és e nada te pode mudar.
és a simplicidade de uma palavra minha.
és quem puxa o tempo sem o querer arrancar de mim.
és o corpo que se move no asfalto do meu interior.
és a visita ás minhas ruínas tão edificadas.
és tu.
és só tu.