tu não sabes o que é acordar com o sabor da existência das tuas palavras ou com a delicadeza dos teus gestos.
se o poço é fundo, que ao menos tenha chão.
se a corda quebrar, que exista uma nova.
se os dias me acompanham, eles explicam a razão do meu caminhar e a hesitação do meu falar.e a música. quando dá aquela música, é por ti que ela toca. a música é tua. e tu és a música dentro da própria, porque música são os teus dedos entrelaçados nos meus. dedos entrelaçados mas que também se separam. dedos de homem e dedos de menina.
quem somos nós?
somos o que a vida nos ensina a ser, sem sermos de alguém porque a ninguém nos damos. e tu és do tempo e és da vida. tu és das casas, dos lagos, dos jardins. és do outono e da primavera. és do mundo. és o mundo de alguém. és de todos e não és de ninguém. és dos desertos e das praias, do céu estrelado e das planícies. és das árvores e do vento. és do sol e da chuva. és do espaço que me dá espaço e que me tira espaço.
e se digo que és de tudo isto é porque és um bocado de mim, mas não és meu.
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