segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Caminhos.
leva-me contigo. entrega-me ás ondas do mar e ao som do vento. deixa-me sonhar.deixa-me chorar tudo o que vou acumulado, todas as palavras que não grito. deixa-me exprimir tudo o que não sinto. tudo o que vou sentindo.agarra em mim, senta-me para lá do pôr-do-sol, entrega-me a horizontes longínquos e deixa-me ver o quão magnífica é a paisagem. e abraça-me quando os teus braços estiverem cansados e quando não estiverem. abraça-me. e dá-me a mão. deixa-me sentir, como que se sentir faça sentido, como que se os sentidos não sejam sentidos, e o que se sente não se sinta. deixa-me pensar. pensar demais ou não pensar. e prometo-te que vou ter força nas pernas e fazer o meu caminho, desenhar atalhos e construir lugares. definir etapas. vou correr estradas e saltar por cima de tempestades, ultrapassar espaços e fazer tempo. quero saborear a liberdade de não ser livre. quero esquecer-me do que sou. escrever-te poemas esquecidos no fundo de mim. iludir-me com um simples respirar. sorrir. precorrer passeios livres de defeito. não proferir o 'para sempre' mas acreditar que os dias se fazem, um de cada vez. depositar confiança na sua essência, na sua lentidão. não perder o olhar, nunca. despertar-te quando me despertar. não fazer mais do que aquilo que posso. cair. levantar-me. e, só assim, vou viver a vida toda.
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