segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O Mundo lá fora.

as luzes lá fora projectam a realidade. o céu que teima em alterar a sua cor. a lua que se deita e espreita a cidade, inundado-a de luz. o mundo. a calma e as pessoas introvertidas, algumas que sorriem, outras espalhafatosas, a maioria tristes, agarradas a cigarros que se acendem para se esquecerem de qualquer tipo de pensamento. sentimentos afastados ou cada vez mais chegados. vidas que se constoem, que se separam. vidas monótonas, ciclos viciosos. cheiros diversos. andares descontrolados, confiantes, sem direcções. corpos que passeiam no escuro, dão voltas por lugares incertos. cabeças cheias que explodem ao som de cada batimento do coração. cabeças cientes do que querem, para onde vão. expressões que a idade não afasta, não mata. confusões que surgem, que ficam, que seguem. acções que edificam momentos, que os tornam únicos. palavras saboreadas, sinceras, conhecidas, ditas em tons variados, que magoam, que fazem sorrir. frases memoráveis que precorrem estradas infinitas. cabelos jovens que, com o tempo, perdem a cor. olhares angustiados, pensativos, que se entregam á melancolia. beijos significativos, cativantes, que o tempo não mantém. mãos que se dão, que se abrem para sentir o toque tão vazio. gestos confusos, insistentes, persuasivos, indiferentes, amargos. gestos que nada significam. vozes que gritam sons inaudíveis, que exprimem qualquer raiva ou dor. livros vividos e histórias para contar. sonhos perdidos que dançam no ar. mentes poluídas por vontade própria. mentes dissolvidas por falas que provocam, que treinam a sua morte. tempo que se afasta e não volta. tempo que permanece intocável a um toque teu. tu que só tocas o que a ti te rejeita.

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